Por Janainna Rosa
A semana foi marcada pelo aumento das incertezas no cenário internacional. Enquanto as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entraram oficialmente em vigor, os mercados voltaram a direcionar atenção para os riscos geopolíticos envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã.
No Brasil, os investidores acompanharam revisões das expectativas para inflação e juros, além da avaliação de que a atividade econômica continua resiliente, embora o ambiente de juros elevados siga limitando um crescimento mais robusto.
A principal mudança de percepção da semana foi a diferenciação entre riscos já incorporados aos preços dos ativos e aqueles que ainda podem provocar novas revisões nas expectativas econômicas.
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Fechamento dos Mercados
Ibovespa
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, acumulando ganho de 0,19% na semana.
A realização de lucros foi influenciada pela queda do petróleo, pelo desempenho das ações ligadas às commodities e pela repercussão das novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Apesar da entrada em vigor das medidas comerciais, o mercado avaliou que boa parte do impacto imediato já havia sido precificada anteriormente.
Dólar
O dólar encerrou praticamente estável, cotado a R$ 5,0809, acumulando queda de 0,59% na semana.
Wall Street
As bolsas americanas fecharam sem direção única.
O Dow Jones apresentou leve alta, enquanto S&P 500 e Nasdaq permaneceram pressionados principalmente pelo setor de tecnologia.
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Cenário Internacional
Geopolítica volta ao radar
Nas semanas anteriores, os investidores já trabalhavam com a percepção de que o conflito entre Estados Unidos e Irã não teria uma resolução rápida. Ao mesmo tempo, o mercado entendia que boa parte do risco inicial já havia sido incorporada aos preços dos ativos, reduzindo a volatilidade observada no início da crise.
Entretanto, ao longo desta semana, a percepção mudou parcialmente.
Sem avanços concretos para uma solução diplomática, os investidores voltaram a atribuir maior peso aos riscos geopolíticos, reacendendo preocupações sobre seus possíveis impactos na inflação global, na oferta de energia e na condução da política monetária.
Mesmo com o petróleo encerrando a sexta-feira em queda após movimentos de realização de lucros, o comportamento da commodity ao longo da semana mostrou que o mercado continua extremamente sensível às notícias envolvendo o Oriente Médio.
O conflito permanece sem uma direção clara, mantendo elevado o grau de incerteza para os próximos meses.
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Brasil
Tarifas entram em vigor e mercado passa a olhar além do impacto inicial
A tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras passou a vigorar nesta semana.
Além disso, o governo americano anunciou uma nova sobretaxa de 12,5%, relacionada à investigação sobre possíveis falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais.
Apesar do endurecimento das medidas, o mercado reagiu de forma relativamente moderada.
A avaliação predominante é que os impactos imediatos já estavam amplamente incorporados aos preços dos ativos.
Agora, o foco dos investidores passou para os chamados efeitos de segunda ordem.
Entre os principais riscos monitorados estão:
- redução da competitividade das exportadoras brasileiras;
- renegociação de contratos internacionais;
- pressão sobre margens das empresas;
- adiamento de investimentos;
- necessidade maior de capital de giro;
- impactos sobre atividade econômica ao longo do segundo semestre.
Especialistas também acompanham a possibilidade de ampliação das barreiras comerciais ou de medidas de reciprocidade, fatores que poderiam elevar o risco-país e pressionar câmbio, inflação e investimentos.
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Atividade Econômica
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve sua projeção de crescimento de 2% para o PIB de 2026, reforçando que a economia brasileira continua apresentando capacidade de expansão.
Entretanto, a entidade elevou sua estimativa para a inflação de 4,4% para 5%, indicando que o processo de desinflação deverá ser mais lento.
Como consequência, a expectativa passou a ser de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic durante 2026, mantendo os juros em níveis elevados por mais tempo.
Esse ambiente tende a limitar o consumo, os investimentos privados e a expansão dos setores mais dependentes de crédito, embora segmentos como petróleo, agropecuária e construção civil continuem oferecendo sustentação parcial ao crescimento.
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Política Monetária
As declarações do Banco Central reforçaram a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva enquanto as expectativas de inflação permanecerem desancoradas.
No cenário internacional, o mercado continua avaliando os próximos passos do Federal Reserve, especialmente diante das incertezas provocadas pela geopolítica e pelas tensões comerciais.
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Radar da Próxima Semana
Os investidores deverão acompanhar:
- evolução das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos;
- possíveis novos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã;
- comportamento dos preços do petróleo;
- expectativas para inflação e juros no Brasil e nos Estados Unidos;
- divulgação de novos indicadores econômicos que possam alterar as perspectivas de crescimento.
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A semana mostrou uma mudança importante na percepção dos mercados.
As tarifas americanas deixaram de representar um fator de surpresa e passaram a ser tratadas como um risco amplamente conhecido. O foco dos investidores voltou-se para seus impactos indiretos sobre empresas, atividade econômica e investimentos.
Ao mesmo tempo, o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar relevância, elevando novamente o prêmio de risco geopolítico e reforçando que a ausência de uma solução definitiva continua sendo um fator de volatilidade para os mercados globais.
No Brasil, a atividade econômica segue resiliente, mas o ambiente de inflação persistente e juros elevados mantém o cenário desafiador para consumidores, empresas e formuladores de política econômica.
Para o investidor, o momento reforça a importância de acompanhar não apenas os indicadores econômicos tradicionais, mas também os desdobramentos geopolíticos e comerciais, que continuam exercendo influência significativa sobre os mercados e as perspectivas para os próximos meses.
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Fontes
Banco Central do Brasil
Confederação Nacional da Indústria (CNI)
B3
Bloomberg
Investing.com
Valor Econômico
InfoMoney
Exame
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Janainna Rosa
Especialista em Investimentos | Colunista de Educação Financeira e Investimentos
MBA em Banking e Mercado de Capitais
Certificada ANBIMA (CEA)
Mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro







