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Monitor Semanal de Mercado | Inflação perde força, Selic entra no radar e as tarifas seguem no centro das atenções

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Por Janainna Rosa

Fechamento dos Mercados

O mercado encerrou a última semana de julho em tom positivo, consolidando um mês marcado por melhora dos ativos brasileiros, fortalecimento das expectativas de queda da Selic e maior seletividade por parte dos investidores diante das incertezas internacionais.

O Ibovespa avançou 0,47% no último pregão do mês, encerrando aos 177.999 pontos, registrando o segundo dia consecutivo de alta. Na semana, acumulou valorização de 2,27% e encerrou julho com ganho de 3,47%.

Mesmo com o atraso na abertura do pregão e menor volume financeiro negociado, o índice encontrou suporte principalmente nas ações do setor financeiro, petróleo e mineração.

O grande destaque positivo foi o Santander Brasil, após o anúncio da proposta de fechamento de capital da companhia na B3. Petrobras acompanhou a valorização internacional do petróleo, enquanto Vale reagiu positivamente aos resultados divulgados no segundo trimestre.

No mercado de câmbio, o dólar encerrou cotado a R$ 5,0704, alta de 0,18% no dia, mas fechando julho com queda acumulada de 1,79% frente ao real.

Em Nova York, os principais índices encerraram a semana em alta, impulsionados pelos resultados corporativos das empresas de tecnologia. A Amazon avançou mais de 15% após divulgar seu balanço trimestral.

No mercado doméstico, praticamente toda a curva de juros passou a precificar quase 100% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, marcada para a primeira semana de agosto.

Panorama da Semana

A última semana de julho trouxe uma mudança importante na percepção dos investidores.

Se durante boa parte do mês o mercado esteve concentrado nos impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e nos riscos geopolíticos do Oriente Médio, nesta semana os indicadores econômicos voltaram ao centro das atenções.

Inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, confiança empresarial e política monetária passaram novamente a direcionar as expectativas dos investidores.

Ao mesmo tempo, os conflitos internacionais continuam presentes no radar, mas o mercado passou a separar os riscos estruturais daqueles que realmente alteram as perspectivas econômicas no curto prazo.

Inflação perde força e reforça expectativa para a Selic

O principal indicador da semana foi o IPCA-15, prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE e utilizada pelo mercado para antecipar o comportamento do IPCA, índice que serve de referência para as decisões do Banco Central sobre a taxa de juros.

O indicador registrou alta de apenas 0,06%, significativamente abaixo dos 0,41% registrados em junho, mostrando perda importante de intensidade das pressões inflacionárias.

O principal fator responsável pelo resultado foi a continuidade da queda dos preços dos alimentos.

Para estados com forte vocação agropecuária, como Mato Grosso, esse movimento merece atenção especial, pois evidencia o impacto positivo da oferta agrícola sobre os preços ao consumidor, beneficiando diretamente as famílias e reduzindo parte da pressão inflacionária observada nos últimos meses.

Apesar do resultado positivo, a inflação continua acima da meta estabelecida pelo Banco Central, o que mantém a autoridade monetária em posição de cautela.

Ainda assim, o indicador fortaleceu a percepção do mercado de que o Copom poderá promover um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

Mercado de trabalho continua resiliente

Os indicadores divulgados durante a semana mostraram que o mercado de trabalho brasileiro segue apresentando resiliência.

A PNAD Contínua, pesquisa do IBGE que acompanha toda a dinâmica do mercado de trabalho brasileiro, incluindo empregos formais, informais, desemprego e rendimento da população, revelou queda da taxa de desemprego para 5,4%, enquanto a taxa de subutilização também recuou.

Já o Novo Caged, levantamento do Ministério do Trabalho que mede exclusivamente a geração de empregos com carteira assinada, mostrou abertura de 145 mil vagas em junho, acima das expectativas do mercado.

Embora o resultado tenha surpreendido positivamente, permanece abaixo do observado no mesmo período do ano passado, indicando que o ritmo de geração de empregos começa a desacelerar gradualmente.

Para o Banco Central, esse equilíbrio é importante: o mercado de trabalho continua forte, mas sem sinais de superaquecimento que possam pressionar ainda mais a inflação.

Economia segue crescendo, mas em ritmo mais moderado

Outro indicador relevante foi o IBC-Br, Índice de Atividade Econômica calculado pelo Banco Central e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), utilizado para acompanhar o ritmo da economia antes da divulgação do dado oficial pelo IBGE.

O índice registrou crescimento de 0,1% em maio, superando as expectativas do mercado.

Embora o ritmo seja mais moderado que nos meses anteriores, o dado mostra que a economia brasileira continua crescendo, sustentada principalmente pela indústria e pelo setor de serviços.

Esse comportamento reforça a percepção de uma desaceleração gradual, sem indicar uma perda significativa de dinamismo da atividade econômica.

Confiança da indústria continua em queda

Na outra ponta, a confiança dos empresários industriais segue apresentando deterioração.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do Índice de Confiança do Empresário Industrial, que mede a percepção dos empresários sobre as condições atuais e futuras da economia e dos próprios negócios, 26 dos 29 setores pesquisados permanecem no campo de falta de confiança.

Juros elevados, incertezas fiscais, tarifas comerciais e dificuldades de financiamento continuam adiando investimentos e projetos de expansão.

Esse ambiente tende a limitar novos investimentos produtivos e influencia diretamente o ritmo de crescimento da economia nos próximos meses.

Estados Unidos: Fed mantém juros, mas muda sua comunicação

No cenário internacional, o Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central dos Estados Unidos e responsável pela condução da política monetária da maior economia do mundo, manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, decisão amplamente esperada pelo mercado.

O destaque ficou novamente para a postura do presidente Kevin Warsh.

Ao reduzir o uso do chamado forward guidance, Warsh reforçou que o Fed pretende depender cada vez mais dos dados econômicos e menos de sinalizações antecipadas sobre os próximos passos da política monetária.

Na prática, isso significa que indicadores como inflação, mercado de trabalho e atividade econômica deverão provocar oscilações ainda maiores nos mercados globais.

Embora três membros do comitê tenham votado por uma nova alta dos juros, a comunicação foi interpretada como menos agressiva do que parte do mercado esperava.

Contas externas seguem positivas

Outro dado importante da semana veio do Banco Central.

O Brasil registrou déficit em conta corrente, indicador que reúne todas as transações do país com o exterior, como exportações, importações, serviços, rendas e transferências internacionais, de US$ 2,33 bilhões em junho, resultado melhor que o esperado.

Ao mesmo tempo, os Investimentos Diretos no País (IDP), que representam os recursos destinados por investidores estrangeiros para abrir, adquirir ou expandir empresas no Brasil, superaram US$ 9 bilhões, praticamente o dobro das projeções.

Esse fluxo continua demonstrando que, apesar das incertezas fiscais e políticas, o Brasil permanece atraindo investimentos produtivos do exterior.

Arrecadação recorde não elimina preocupação fiscal

A arrecadação federal atingiu novo recorde histórico em junho.

Entretanto, o crescimento das receitas não foi suficiente para interromper a trajetória de expansão da dívida pública, que representa o total de recursos captados pelo governo por meio da emissão de títulos para financiar suas despesas e refinanciar compromissos já existentes, permanecendo acima de R$ 9 trilhões.

Esse é um dos principais fatores acompanhados pelo mercado.

Enquanto a arrecadação melhora o fluxo de caixa do governo, o elevado custo dos juros continua exigindo novas emissões de títulos públicos, mantendo elevada a necessidade de financiamento.

Por isso, a sustentabilidade fiscal continua sendo um dos principais desafios da economia brasileira.

Guerra comercial continua no radar

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros continuam sendo um dos temas mais relevantes para investidores.

Com a entrada em vigor das medidas, o mercado passou a entender que boa parte do impacto inicial já foi incorporada aos preços dos ativos.

A preocupação agora migra para os chamados efeitos de segunda ordem.

Entre eles estão possíveis reduções nas exportações, revisão de investimentos, impacto sobre margens das empresas exportadoras e eventual adoção de novas medidas comerciais entre os dois países.

Até o momento, não houve deterioração significativa dos ativos brasileiros, mas o mercado continua aguardando os próximos desdobramentos das negociações diplomáticas.

Geopolítica permanece como fator de volatilidade

O conflito envolvendo Estados Unidos e Irã permanece sem uma solução definitiva.

Ao longo das últimas semanas, o mercado chegou a interpretar que a guerra poderia entrar em uma fase de estabilidade, reduzindo parte da volatilidade observada inicialmente no petróleo.

No entanto, novos episódios recentes mostraram que esse cenário continua bastante sensível.

A principal leitura dos investidores hoje não é mais sobre uma resolução rápida do conflito, mas sim sobre a possibilidade de conviver durante um período prolongado com episódios alternados de escalada e acomodação das tensões.

Essa dinâmica continua influenciando diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, as expectativas para inflação global.

Visão da Semana

A última semana de julho reforçou uma mensagem importante.

O cenário econômico brasileiro apresenta sinais consistentes de desaceleração da inflação, mercado de trabalho ainda resiliente e atividade econômica moderando sem perda abrupta de dinamismo.

Ao mesmo tempo, permanecem desafios importantes.

A situação fiscal continua exigindo atenção, as tarifas comerciais seguem gerando incertezas para empresas exportadoras e os conflitos internacionais continuam influenciando os preços das commodities.

Para os investidores, o ambiente continua favorecendo estratégias de diversificação e acompanhamento constante dos indicadores econômicos.

Mais do que antecipar movimentos de curto prazo, compreender o significado desses indicadores tornou-se essencial para interpretar os rumos da economia e tomar decisões de investimento mais conscientes.

Radar da Próxima Semana

Os investidores deverão acompanhar:

  • Decisão do Copom sobre a taxa Selic.
  • Novas sinalizações do Banco Central.
  • Repercussão do IPCA-15 sobre as expectativas de inflação.
  • Indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos.
  • Desdobramentos das tarifas comerciais entre Brasil e EUA.
  • Evolução do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo.
  • Continuidade da temporada de balanços corporativos.

Fontes

  • Banco Central do Brasil
  • IBGE
  • Ministério do Trabalho e Emprego
  • Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  • Federal Reserve
  • Reuters
  • BM&C News
  • InfoMoney
  • Investing Brasil

Janainna Rosa
Especialista em Investimentos | Colunista de Educação Financeira e Investimentos
MBA em Banking e Mercado de Capitais
Certificada ANBIMA (CEA)
Mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro

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