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Boletim Focus | Inflação recua pela sexta semana, mas economia perde força: o que mudou no cenário?

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Por Janainna Rosa

O Relatório Focus desta semana reforçou duas tendências que vêm sendo acompanhadas nas últimas edições: a melhora gradual das expectativas para a inflação e a perda de força nas projeções para o crescimento da economia.

Pela sexta semana consecutiva, o mercado reduziu a projeção para o IPCA de 2026, que passou de 5,03% para 5,02%. A expectativa para a Selic permaneceu em 13,75% para o final do ano, depois da redução realizada na semana passada pelo Copom.

Ao mesmo tempo, a projeção para o PIB voltou a ser revisada para baixo, principalmente para 2027. Esse movimento mostra que, enquanto o cenário de inflação começa a apresentar sinais mais favoráveis, os efeitos de uma política monetária ainda restritiva continuam aparecendo nas expectativas para a atividade econômica.

A semana também será importante para confirmar se essa melhora da inflação continua. O destaque fica para a divulgação do IPCA de julho, que será conhecido nesta terça-feira.

Destaque da Semana

Inflação melhora, mas crescimento perde força

O movimento que começamos a acompanhar em julho continua nesta semana.

A expectativa para a inflação de 2026 caiu pela sexta vez consecutiva. O recuo foi pequeno, de 5,03% para 5,02%, mas a sequência é importante porque mostra uma mudança persistente em relação ao cenário observado no início do nosso acompanhamento.

Por outro lado, a projeção para o crescimento econômico voltou a cair. Para 2027, passou de 1,57% para 1,52%, terceira redução consecutiva.

Na prática, temos dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo: um cenário um pouco mais favorável para a inflação e uma economia que começa a ter suas perspectivas de crescimento reduzidas.

Evolução das Últimas Semanas

Data Principal leitura
22/06 Mercado elevava continuamente as projeções de inflação.
29/06 Sequência de altas foi interrompida.
06/07 Primeira redução após 16 semanas de altas.
13/07 Segunda queda consecutiva após inflação mais favorável.
20/07 Terceira redução da inflação, mas alta nas expectativas para 2028.
27/07 Quarta redução do IPCA e menor expectativa de crescimento.
03/08 Quinta queda da inflação e primeira redução da projeção da Selic.
10/08 Sexta queda da inflação e novas revisões para baixo no PIB.

Relatório Focus

Inflação — IPCA

Ano Atual Semana anterior
2026 5,02% 5,03%
2027 4,22% 4,22%
2028 3,80% 3,80%
2029 3,50% 3,50%

O que mudou?

A projeção para a inflação de 2026 caiu pela sexta semana consecutiva, passando de 5,03% para 5,02%.

O que isso significa?

A sequência de revisões para baixo mostra que o mercado vem enxergando uma melhora gradual no cenário de inflação.

Mas o número ainda está acima do centro da meta de inflação, de 3%, o que significa que ainda existe um caminho importante pela frente.

O próximo teste será o IPCA de julho, divulgado pelo IBGE nesta terça-feira, 11 de agosto. O calendário oficial do IBGE confirma a divulgação do índice nessa data.

Produto Interno Bruto — PIB

Ano Atual Semana anterior
2026 1,98% 1,99%
2027 1,52% 1,57%
2028 2,00% 2,00%
2029 2,00% 2,00%

O que mudou?

A projeção para 2026 caiu marginalmente, enquanto a expectativa para 2027 passou de 1,57% para 1,52%, registrando a terceira semana consecutiva de redução.

O que isso significa?

O mercado continua esperando crescimento da economia, mas em um ritmo mais moderado.

Isso mostra que os juros ainda elevados continuam sendo considerados um fator de contenção para o consumo, o crédito e os investimentos.

Selic

Ano Atual Semana anterior
2026 13,75% 13,75%
2027 12,00% 12,00%
2028 10,50% 10,50%
2029 10,00% 10,00%

O que mudou?

Nenhuma alteração nas projeções nesta semana.

A Selic projetada para o final de 2026 permanece em 13,75%, depois da revisão para baixo realizada na semana passada.

O que isso significa?

A melhora das expectativas para a inflação já começou a aparecer na projeção dos juros, mas o mercado ainda trabalha com uma trajetória de redução gradual.

Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00%. O Banco Central, porém, não indicou antecipadamente qual será o próximo passo, mantendo a atenção voltada para os próximos indicadores. A decisão de agosto foi descrita pelo mercado como cautelosa, justamente porque o BC evitou sinalizar uma sequência automática de cortes.

Câmbio

Ano Atual Semana anterior
2026 R$ 5,20 R$ 5,20
2027 R$ 5,28 R$ 5,28
2028 R$ 5,30 R$ 5,30
2029 R$ 5,37 R$ 5,39

O que mudou?

As projeções permaneceram estáveis nos três primeiros horizontes e recuaram levemente para 2029.

O que isso significa?

O câmbio continua sem mudanças relevantes nas expectativas de curto prazo. Para o investidor, isso reforça a importância de acompanhar também os fatores externos que podem alterar a percepção sobre o dólar, como juros internacionais, fluxo de capital e cenário geopolítico.

IGP-M

Ano Atual Semana anterior
2026 4,47% 4,54%
2027 4,14% 4,16%

O IGP-M também apresentou nova redução nas expectativas, reforçando o movimento de acomodação das projeções de inflação.

O que isso significa na prática?

Para as famílias

Uma inflação mais baixa significa menor pressão sobre o custo de vida, principalmente se essa tendência se confirmar nos próximos meses.

Por outro lado, os juros ainda elevados continuam tornando financiamentos e outras formas de crédito mais caros.

Para as empresas

A melhora das expectativas de inflação aumenta a previsibilidade para planejamento e custos. Porém, o crescimento econômico mais fraco e o custo do crédito continuam exigindo cautela em novos investimentos.

Para os investidores

O cenário continua relevante para a renda fixa. Ao mesmo tempo, a redução das expectativas para a Selic merece acompanhamento, porque uma trajetória de juros mais baixos pode alterar gradualmente a atratividade relativa entre diferentes classes de ativos.

Indicadores da Semana

Brasil

Terça-feira — 11/08

IPCA de julho

Será o principal indicador da semana.

O resultado ajudará o mercado a avaliar se o comportamento recente dos preços confirma a melhora que vem aparecendo nas projeções do Focus. O IBGE confirma a divulgação do IPCA de julho para 11 de agosto.

Também estão previstas divulgações do INPC e de indicadores regionais de produção industrial na mesma data.

Ao longo da semana

O mercado continuará acompanhando os desdobramentos da decisão do Copom e as novas informações capazes de alterar as expectativas para inflação, atividade e juros.

Exterior

O mercado internacional continuará acompanhando:

  • política monetária dos principais bancos centrais;
  • inflação e atividade econômica;
  • comportamento dos juros internacionais;
  • dólar e fluxo de capitais;
  • cenário geopolítico e seus impactos sobre commodities.

O que fica no radar?

IPCA de julho

A principal pergunta da semana é: a inflação oficial confirmará a melhora que já aparece nas expectativas do mercado?

Próximos passos da Selic

Depois do corte realizado na semana passada, o mercado continuará avaliando se haverá espaço para novas reduções e em qual ritmo.

Atividade econômica

A terceira revisão consecutiva para baixo do PIB de 2027 merece atenção. Se esse movimento continuar, teremos uma sinalização mais clara de desaceleração da atividade.

Cenário fiscal

A trajetória das contas públicas continua sendo um dos fatores capazes de influenciar inflação, juros e percepção de risco no Brasil.

Em Perspectiva

Nas últimas semanas, o cenário mudou de forma gradual.

Em junho, o mercado ainda revisava continuamente para cima suas projeções de inflação. Agora, chegamos à sexta semana consecutiva de redução da expectativa para o IPCA de 2026.

A mudança também começou a aparecer na projeção da Selic, que caiu para 13,75% na semana passada.

Mas existe um contraponto importante: o mercado está reduzindo as expectativas de crescimento econômico, especialmente para 2027.

Isso significa que a melhora da inflação não deve ser analisada isoladamente. Precisamos observar se a desinflação continuará avançando e, ao mesmo tempo, qual será o impacto dos juros sobre a atividade econômica.

Conclusão

O Focus desta semana reforça uma mudança que vem sendo construída ao longo das últimas semanas: a percepção sobre a inflação está melhorando gradualmente.

A sexta redução consecutiva da projeção para o IPCA é positiva, mas o mercado ainda precisa de novas confirmações para considerar essa melhora uma tendência consolidada.

Ao mesmo tempo, a redução das expectativas para o PIB mostra que os efeitos de uma política monetária ainda restritiva começam a aparecer com mais força na perspectiva de crescimento.

Mais do que acompanhar um número isolado, é a comparação entre essas informações e a evolução ao longo das semanas que nos permite entender melhor para onde o cenário está caminhando e o que isso pode significar para investimentos, crédito e planejamento financeiro.

Fontes

  • Banco Central do Brasil — Relatório Focus
  • Banco Central do Brasil — Copom
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE
  • Fundação Getulio Vargas — FGV
  • B3 — mercado de juros futuros

O calendário oficial do IBGE confirma o IPCA de julho para 11/08/2026, que será o principal dado doméstico desta semana.

Janainna Rosa
Especialista em Investimentos | Colunista de Educação Financeira e Investimentos
MBA em Banking e Mercado de Capitais
Certificada ANBIMA (CEA)
Mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro

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