A semana foi marcada pelo aumento da aversão ao risco global, pressão inflacionária persistente e maior instabilidade política doméstica, fatores que impactaram diretamente os mercados locais e internacionais.
No Brasil, o Ibovespa acumulou queda de 3,71% na semana, encerrando aos 177.283 pontos, refletindo principalmente o aumento das tensões políticas, a deterioração das expectativas inflacionárias e o movimento de cautela dos investidores diante de um cenário externo mais pressionado.
O dólar voltou a ganhar força frente ao real, encerrando a semana cotado a R$ 5,0678, com alta acumulada de 3,55%, impulsionado pela maior busca por proteção em meio ao avanço das incertezas fiscais e políticas no cenário doméstico.
No ambiente macroeconômico, os dados de inflação seguiram no centro das atenções. O IPCA de abril veio acima das expectativas, mantendo os núcleos inflacionários pressionados, especialmente nos segmentos de serviços e alimentação. Apesar de algum alívio em combustíveis e preços administrados, o dado reforçou a percepção de uma inflação mais persistente e de uma política monetária ainda cautelosa no curto prazo.
Nos Estados Unidos, a inflação também voltou a preocupar os investidores. O CPI de abril mostrou aceleração, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram diante da reprecificação das expectativas para o Federal Reserve. O movimento reforçou a visão de juros elevados por um período mais prolongado.
No cenário internacional, o mercado acompanhou com atenção os desdobramentos diplomáticos entre Estados Unidos e China. Apesar do tom mais amistoso nas declarações entre Donald Trump e Xi Jinping, os investidores seguiram monitorando a ausência de avanços concretos em temas comerciais, tecnologia e geopolítica.
Além disso, as tensões no Oriente Médio continuaram pressionando os mercados globais. O petróleo Brent permaneceu acima dos US$ 100 por barril em meio às preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz e possíveis impactos sobre a oferta global de energia, aumentando os receios de novos choques inflacionários globais.
Entre os destaques corporativos da semana:
- Petrobras foi pressionada após balanço e dividendos abaixo das expectativas;
- Vale encontrou suporte na valorização do minério de ferro e em projeções positivas para os próximos anos;
- BRKM5 chamou atenção com forte valorização após melhora de recomendação pelo JP Morgan;
- O setor bancário sofreu com o aumento do risco político doméstico;
- BEEF3 avançou diante da possibilidade de redução de tarifas sobre carne bovina nos Estados Unidos.
No exterior, as bolsas americanas encerraram a semana em queda, devolvendo parte das máximas históricas recentes diante do aumento da cautela global, realização em tecnologia e avanço dos juros longos.
O mercado encerra a semana monitorando principalmente:
- os desdobramentos políticos no Brasil;
- o comportamento da inflação global;
- os próximos passos do Federal Reserve;
- as tensões geopolíticas no Oriente Médio;
- os impactos do petróleo elevado sobre atividade econômica e inflação.
Em um ambiente de maior volatilidade, o mercado segue exigindo seletividade, diversificação e uma visão estratégica de médio e longo prazo nas decisões de investimento.
Fontes: Banco Central do Brasil, IBGE, Federal Reserve, Reuters, Investing.com, Bloomberg, B3, CME Group, relatórios de instituições financeiras e dados de mercado nacionais e internacionais.
Janainna Rosa
Especialista em Investimentos




