Incerteza fiscal, turbulência nos mercados e pressão sobre a confiança dos investidores
Por Janainna Rosa
A última semana de outubro foi marcada por uma forte mudança na percepção de risco dos investidores em relação ao Brasil. O resultado eleitoral, as incertezas sobre a condução da política fiscal e a ausência de definições sobre a próxima equipe econômica provocaram uma revisão expressiva de posições no mercado financeiro.
A Bolsa brasileira registrou uma das semanas mais negativas de sua história recente, enquanto o dólar avançou e os juros futuros ficaram sob pressão. Ao mesmo tempo, os indicadores fiscais e de crédito divulgados no período reforçaram preocupações que vão além do ambiente eleitoral: dívida pública crescente, elevado comprometimento da renda das famílias e custo alto do financiamento.
No cenário internacional, o Federal Reserve manteve os juros americanos, mas demonstrou cautela diante da inflação ainda acima da meta. As bolsas de Nova York também enfrentaram pressão, especialmente no setor de tecnologia, diante das dúvidas sobre o retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial.
O conjunto dos acontecimentos mostra um mercado mais seletivo, que busca previsibilidade, segurança e sinais concretos sobre os próximos passos da política econômica.
O que movimentou a semana
Os principais acontecimentos foram:
- Cenário eleitoral e fiscal: investidores aguardam sinalizações sobre a política econômica, a equipe ministerial e a trajetória das contas públicas.
- Mercado brasileiro: Ibovespa acumulou queda de 18,12% na semana, enquanto o dólar avançou aproximadamente 9%.
- Dívida pública: dívida bruta atingiu 82,93% do PIB em setembro, maior patamar desde março de 2021.
- Contas públicas: IFI estimou pressão potencial de até R$ 40 bilhões decorrente de propostas eleitorais ainda sem previsão orçamentária.
- Crédito às famílias: endividamento e comprometimento da renda atingiram novos recordes.
- Reforma Tributária: TCU aprovou alíquota de referência de 11,3% para a CBS, reacendendo o debate sobre o custo do novo sistema.
- Estados Unidos: Fed manteve os juros entre 3,75% e 4% ao ano, em decisão não unânime.
- Sistema financeiro: Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da MW Pay, enquanto avançaram as investigações envolvendo Banco Master e BRB.
Fechamento da semana: mercados sob forte pressão
O encerramento de outubro confirmou uma semana de forte aversão ao risco, especialmente no mercado brasileiro.
Brasil
Ibovespa
167.921,80 | -18,12% na semana
Dólar à vista | R$ 5,4443
- aproximadamente 9,1% na semana
O Ibovespa caiu 0,75% na sexta-feira, completando cinco pregões consecutivos de queda e três semanas seguidas no vermelho. Em outubro, acumulou perda de 9,88%, enquanto o índice de Small Caps recuou 17,45% no mês.
A queda semanal de 18,12% foi a mais intensa desde março de 2020, quando o índice perdeu 18,88% durante o período mais agudo da pandemia.
A pressão refletiu principalmente a ausência de sinalizações fiscais do governo reeleito, a alta dos juros futuros e a deterioração do apetite por risco no exterior.
Estados Unidos
Índice Fechamento de sexta-feira
S&P 500 -1,82%
Dow Jones -1,09%
Nasdaq -2,86%
As bolsas americanas encerraram a sexta-feira em queda, pressionadas pelas ações de tecnologia e pelas preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial.
Amazon e Intel estiveram entre os destaques negativos após seus balanços reforçarem dúvidas sobre os custos e o retorno desses investimentos.
No acumulado de outubro, o Nasdaq perdeu 5,3%, enquanto o S&P 500 recuou 0,9%. O Dow Jones, por sua vez, avançou 1,7%.
Exterior e commodities
Na Europa, os índices terminaram predominantemente em queda, apesar de indicadores econômicos melhores do que o esperado. O PIB da zona do euro cresceu 0,4% no terceiro trimestre, enquanto a economia alemã avançou 0,2%.
Na Ásia, as bolsas chinesas também sofreram pressão, principalmente nos setores de tecnologia e inteligência artificial.
O petróleo avançou nas principais referências internacionais, em meio às preocupações geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
O fechamento da semana evidencia que a aversão ao risco não ficou restrita ao Brasil. Entretanto, a intensidade da desvalorização dos ativos brasileiros indica que os fatores domésticos tiveram peso importante na precificação local.
Brasil: cenário fiscal passa a ocupar o centro das atenções
O resultado eleitoral trouxe novamente para o centro do debate a condução da política fiscal e a sustentabilidade das contas públicas.
Mais do que a definição política, o mercado busca compreender como serão conduzidos os gastos, as receitas, as metas fiscais e a trajetória da dívida pública nos próximos anos.
Essa preocupação ganhou força com a divulgação de novos dados do Banco Central e de avaliações da Instituição Fiscal Independente.
Dívida pública chega a 82,93% do PIB
A dívida bruta do Brasil alcançou 82,93% do PIB em setembro, ante 82,87% em agosto. É o maior patamar desde março de 2021, quando o indicador chegou a 85,10% durante a pandemia.
A dívida líquida do setor público também avançou, passando de 69,3% para 70% do PIB.
Outro dado relevante foi o resultado primário de setembro: o setor público consolidado registrou déficit de R$ 5,5 bilhões, resultado inferior à expectativa de superávit de R$ 0,5 bilhão dos economistas consultados pela Reuters.
O resultado foi composto por:
- Governo Central: superávit de R$ 3,469 bilhões.
- Estados e municípios: déficit de R$ 5,573 bilhões.
- Empresas estatais: déficit de R$ 3,393 bilhões.
A dinâmica da dívida também foi influenciada pelo pagamento de juros. O resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e o crescimento da atividade econômica ajudaram a compensar parte dessa pressão, mas não impediram a elevação do indicador.
Por que isso importa?
A dívida pública não é apenas um indicador contábil. Sua trajetória influencia a percepção de risco do país e o prêmio que os investidores exigem para financiar o governo.
Quando há dúvidas sobre a capacidade de estabilizar o endividamento, os investidores podem exigir remunerações maiores nos títulos públicos. Isso pressiona os juros de mercado, encarece o crédito e afeta as decisões de investimento.
IFI alerta para pressão adicional de até R$ 40 bilhões
A Instituição Fiscal Independente, vinculada ao Senado Federal, apresentou uma avaliação sobre os impactos potenciais de propostas anunciadas durante a campanha eleitoral.
Segundo a instituição, o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação associada ao fim das bets e medidas voltadas aos microempreendedores individuais poderiam ampliar em até R$ 40 bilhões o desequilíbrio das contas públicas, sem previsão no Orçamento.
Esse cálculo não inclui outras propostas mencionadas durante a campanha, como iniciativas relacionadas ao Pé-de-Meia para estudantes do ensino superior e à gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana.
A IFI também apresentou uma avaliação de risco de déficit primário potencial de 1% do PIB em 2027. Na tabela de projeções de curto prazo, entretanto, a instituição apresenta déficit de 0,7% do PIB para o setor público consolidado no mesmo ano. São referências diferentes e precisam ser interpretadas separadamente.
Outro ponto importante do relatório é o juro real neutro. A mediana das estimativas reunidas pela IFI foi de 6,1% ao ano, acima dos 5% utilizados como referência pela instituição.
Em um exercício de sensibilidade, esse patamar elevaria de 2,1% para 2,9% do PIB o superávit primário necessário para estabilizar a dívida no nível de dezembro de 2025.
Isso significa que, quanto maior o custo real de financiamento da dívida, maior tende a ser o esforço fiscal necessário para impedir o crescimento do endividamento.
O custo da dívida e a discussão sobre confiança
Outro conteúdo relevante da semana foi a proposta apresentada pelo empresário Walter Maciel, em uma carta direcionada ao presidente Lula, intitulada “Um trilhão, presidente”.
O texto defende que uma melhora na previsibilidade fiscal poderia reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores e, consequentemente, aliviar o custo de financiamento da dívida pública.
A proposta reúne quatro frentes:
- Criação de regras fiscais mais efetivas, com metas e gatilhos automáticos.
- Revisão gradual dos benefícios tributários.
- Mudanças nas regras da previdência dos militares.
- Cumprimento efetivo do teto constitucional para remunerações do setor público.
O autor estima que as medidas poderiam gerar cerca de R$ 40 bilhões em 2028 e mais de R$ 100 bilhões anuais em 2030. Também projeta uma redução expressiva das despesas com juros caso o prêmio de risco diminua.
É importante separar a proposta dos resultados efetivamente observados: as economias e a redução de juros apresentadas são estimativas do autor, não resultados garantidos.
Ainda assim, o texto traz uma discussão relevante para o mercado: a confiança fiscal tem valor econômico. A previsibilidade das regras, a capacidade de cumprir metas e a sustentabilidade da dívida influenciam diretamente o custo de financiamento do país.
Política monetária: Fed mantém juros, mas sinaliza cautela
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4% ao ano na reunião de 28 de outubro.
A decisão ocorreu conforme a expectativa majoritária do mercado, mas não foi unânime. Lisa D. Cook e Beth M. Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
No comunicado, o Fed destacou que a economia americana continua em expansão, com crescimento da produtividade e investimentos de capital robustos.
O mercado de trabalho também foi descrito como resiliente, com desemprego estável e criação de vagas acompanhando o crescimento da força de trabalho.
O principal ponto de atenção permanece a inflação, que continua acima da meta de 2%.
Durante a coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, ressaltou a necessidade de mais informações para avaliar se o nível atual dos juros será suficiente para conduzir a inflação à meta.
A decisão reforça que a política monetária americana continua dependente dos próximos indicadores econômicos. A manutenção dos juros não representa, necessariamente, o início de um ciclo de cortes.
O que isso representa para o Brasil?
Os juros americanos são uma referência importante para os fluxos internacionais de capital.
Quando os Estados Unidos mantêm taxas elevadas, os títulos americanos continuam oferecendo remuneração relevante, o que pode reduzir a atratividade relativa de mercados emergentes.
No Brasil, o diferencial de juros ajuda a sustentar o real, mas não elimina os efeitos de uma deterioração da percepção de risco doméstico.
É justamente essa combinação que merece atenção: juros brasileiros elevados, incerteza fiscal e maior seletividade dos investidores estrangeiros.
Crédito e consumo: famílias mais pressionadas
Os dados divulgados pelo Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu novos recordes em agosto.
O endividamento como proporção da renda acumulada em 12 meses chegou a 50,1%, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida alcançou 29%.
Excluindo o crédito imobiliário, o comprometimento da renda também atingiu um recorde, de 26,7%.
Outros indicadores reforçam esse cenário:
Indicador Resultado
Endividamento das famílias 50,1%
Comprometimento da renda 29,0%
Inadimplência no crédito livre 6,6%
Estoque de crédito em setembro R$ 7,4 trilhões
Crescimento do crédito em 12 meses 8,6%
Spread bancário no crédito livre 35,5 pontos percentuais
A inadimplência no crédito livre permaneceu em 6,6%, mesmo nível de agosto e recorde da série mencionada na matéria.
O estoque de crédito cresceu 0,4% em setembro, mas a expansão em 12 meses desacelerou de 9,4% para 8,6%.
O que esses números revelam?
O problema não está apenas no volume de dívidas, mas na parcela crescente da renda comprometida com seu pagamento.
Quando as famílias destinam uma proporção maior de seus rendimentos ao serviço da dívida, sobra menos espaço para consumo, poupança e novos investimentos.
Esse cenário também pode afetar o desempenho das empresas, especialmente aquelas mais dependentes do consumo interno.
Para o Banco Central, os dados reforçam a complexidade da condução monetária: a política de juros precisa considerar a inflação, mas também os efeitos do crédito caro sobre famílias e empresas.
Reforma Tributária: CBS de 11,3% reacende debate sobre carga tributária
O Tribunal de Contas da União aprovou uma alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que começa a vigorar em 2027.
O percentual ficou acima das estimativas anteriores:
- Governo, em 2024: 8,8%.
- Comitê Gestor do IBS: 9,21%.
- Alíquota aprovada pelo TCU: 11,3%.
A decisão ainda será encaminhada ao Senado Federal, que deverá deliberar sobre a alíquota de referência para 2027.
A definição reacendeu o debate sobre o custo do novo sistema tributário. Considerando uma referência de 18,7% para o IBS, a soma nominal com a CBS chegaria a 30%, acima do parâmetro de 26,5% previsto na legislação.
Entretanto, é importante destacar que a soma das alíquotas nominais não representa necessariamente a carga tributária efetiva de todas as empresas.
O impacto dependerá das regras de incidência, dos regimes diferenciados, da apropriação de créditos e das características de cada atividade econômica.
O que as empresas precisam acompanhar?
A transição exigirá atenção à formação de preços, revisão de contratos, adequação dos sistemas fiscais e planejamento do fluxo de caixa.
Empresas com margens mais estreitas e operações complexas precisarão avaliar com antecedência os efeitos da nova sistemática.
Para investidores, a reforma também merece acompanhamento porque mudanças na tributação podem alterar margens, custos operacionais e perspectivas de rentabilidade de diferentes setores.
Sistema financeiro: regulação e confiança em evidência
A semana também trouxe dois acontecimentos importantes envolvendo instituições financeiras.
Caso Banco Master e BRB
A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes financeiros.
Segundo a investigação, as operações de carteiras de crédito negociadas entre as instituições somaram R$ 17,5 bilhões. Desse total, R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não teria sido comprovada.
A PF aponta suspeitas de gestão fraudulenta, induzimento a erro, fraude em fiscalização, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação ainda não foi concluída. A Polícia Federal solicitou mais 60 dias para diligências, perícias e análises bancárias, fiscais e patrimoniais.
O caso merece atenção pelo potencial impacto sobre a confiança na governança das instituições financeiras e sobre a importância dos mecanismos de controle e fiscalização.
É fundamental ressaltar que o indiciamento não equivale a condenação. A responsabilização criminal depende das etapas posteriores e de decisão judicial.
Banco Central liquida MW Pay
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da MW Instituição de Pagamento Ltda., conhecida como MW Pay, por identificar graves violações às normas aplicáveis às instituições integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
A empresa oferecia infraestrutura tecnológica de pagamentos e conectividade ao ecossistema Pix.
Segundo o BC, seus ativos representavam menos de 0,0002% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional.
A decisão interrompeu as atividades da instituição e determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores, enquanto são apuradas eventuais responsabilidades.
O comunicado do regulador não detalhou as normas específicas descumpridas.
Os dois episódios reforçam a importância da governança, da transparência, dos controles internos e da supervisão regulatória para a confiança no sistema financeiro.
Relações Brasil–Estados Unidos: cenário eleitoral e comércio exterior
Outro tema que ganhou relevância foi a relação entre Brasil e Estados Unidos após o resultado eleitoral brasileiro.
Em análise publicada pelo Eurasia Group, a cientista política Julia Thomson avaliou que a relação bilateral tende a permanecer em um patamar desfavorável ao Brasil, com possibilidade de ruídos diplomáticos, mas sem necessariamente representar uma escalada prolongada de medidas contra o país.
Entre os pontos de atenção estão:
- A continuidade das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
- A ausência de perspectiva concreta de um acordo para redução dessas tarifas.
- As dificuldades nas negociações envolvendo minerais críticos.
- As indefinições sobre a representação diplomática dos dois países.
- A possibilidade de mudanças na agenda internacional americana após as eleições de meio de mandato.
A análise também aponta que a relação entre os governos poderá passar por um período de acomodação, sem que isso signifique uma solução para as divergências comerciais.
Por que esse tema importa para os investidores?
A relação comercial com os Estados Unidos pode afetar diretamente empresas exportadoras, setores ligados a commodities e projetos estratégicos de investimento.
Além disso, a percepção de instabilidade diplomática pode influenciar a avaliação de risco dos ativos brasileiros.
O ponto central é acompanhar se as tensões permanecerão restritas ao campo diplomático ou se poderão produzir novas medidas comerciais com impacto sobre exportações, câmbio e investimentos.
Impactos para os investidores: como interpretar o cenário?
A semana mostrou que o mercado está reagindo não apenas aos indicadores econômicos, mas também à falta de previsibilidade sobre a condução da política econômica.
Em momentos como este, é importante separar a volatilidade de curto prazo dos fundamentos de longo prazo e evitar decisões precipitadas motivadas exclusivamente pelo movimento dos preços.
Alguns pontos merecem atenção na construção e no acompanhamento das carteiras:
Renda fixa pós-fixada
Com juros ainda elevados, aplicações atreladas ao CDI continuam oferecendo remuneração relevante. A liquidez também ganha importância em momentos de incerteza, permitindo que o investidor preserve flexibilidade para aproveitar oportunidades futuras.
Renda fixa prefixada
A elevação dos juros futuros pode abrir oportunidades de taxas mais atrativas. Entretanto, esses investimentos exigem atenção ao prazo e à possibilidade de oscilações de preço antes do vencimento.
Títulos indexados à inflação
Em um ambiente de preocupação com a trajetória fiscal e as expectativas inflacionárias, títulos indexados ao IPCA podem contribuir para a proteção do poder de compra no longo prazo. É necessário observar o prazo, a taxa contratada e a volatilidade de mercado.
Mercado de ações
A forte correção dos preços exige análise criteriosa dos fundamentos das empresas, endividamento, geração de caixa e capacidade de atravessar períodos de juros elevados.
A diversificação entre setores e a avaliação da exposição cambial também ganham importância.
Investimentos internacionais
A exposição internacional pode contribuir para a diversificação geográfica e cambial da carteira. Entretanto, os movimentos das bolsas americanas mostram que os mercados externos também estão sujeitos a períodos de volatilidade, especialmente em setores com avaliações elevadas e grandes expectativas de crescimento.
Crédito privado
A atenção à qualidade de crédito, à capacidade de pagamento dos emissores e à estrutura das operações torna-se ainda mais importante. Rentabilidade elevada precisa ser analisada em conjunto com o risco assumido, a liquidez e as garantias disponíveis.
Grande leitura da semana
A última semana de outubro deixou uma mensagem importante: o mercado não está reagindo apenas ao resultado eleitoral, mas principalmente à incerteza sobre o que virá depois dele.
A queda expressiva da Bolsa, a valorização do dólar e a pressão sobre os juros futuros refletem uma mudança na percepção de risco dos investidores.
O cenário fiscal passou a ocupar o centro das atenções. A dívida pública em elevação, o déficit primário, as estimativas de novas despesas e o custo dos juros mostram que o desafio de equilibrar as contas públicas continua relevante.
Ao mesmo tempo, a economia enfrenta outros obstáculos. As famílias estão mais endividadas, o comprometimento da renda alcança níveis recordes e o crédito permanece caro. Isso pode limitar o consumo e reduzir o espaço para um crescimento econômico mais consistente.
No exterior, o Fed mantém uma postura cautelosa, enquanto as bolsas americanas começam a demonstrar maior sensibilidade aos custos e às perspectivas de retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Para o Brasil, o próximo passo será fundamental: o mercado precisa conhecer as diretrizes fiscais, a composição da equipe econômica e a estratégia para a trajetória da dívida pública.
Não significa que todos os ativos brasileiros perderam seus fundamentos ou que a volatilidade atual determine o comportamento dos próximos meses. Significa que o investidor precisa compreender melhor os riscos envolvidos e avaliar suas decisões com base em objetivos, prazos e capacidade de suportar oscilações.
Em um ambiente de incerteza, planejamento, diversificação e disciplina voltam a ser diferenciais importantes.
O que acompanhar na próxima semana
A primeira semana de novembro será importante para entender se o mercado encontrará novos sinais de previsibilidade ou se a pressão sobre os ativos brasileiros continuará.
Brasil
- Anúncios sobre a condução da política fiscal.
- Definição dos integrantes da próxima equipe econômica.
- Sinalizações sobre despesas públicas, receitas e trajetória da dívida.
- Desdobramentos das investigações envolvendo Banco Master, BRB e MW Pay.
Política monetária
- Decisão do Copom, prevista para quarta-feira, 4 de novembro.
- Comunicação do Banco Central sobre inflação, expectativas e atividade econômica.
- Reação dos juros futuros às sinalizações fiscais.
Estados Unidos
- Eleições de meio de mandato em 3 de novembro e possíveis repercussões sobre a agenda econômica e comercial americana.
- Indicadores de atividade e inflação.
- Resultados corporativos, especialmente das empresas ligadas à inteligência artificial.
Mercados e commodities
- Comportamento do dólar e dos juros futuros brasileiros.
- Fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa.
- Preços do petróleo e do minério de ferro.
- Efeitos das tensões geopolíticas sobre as commodities e empresas exportadoras.
Reforma Tributária
- Deliberação do Senado sobre a alíquota de referência da CBS.
- Regulamentação e preparação das empresas para a transição prevista para 2027.
Fontes de referência
Os conteúdos desta edição foram organizados a partir das matérias, entrevistas com referências às seguintes instituições e veículos:
- Banco Central do Brasil — dados de dívida pública, crédito e sistema financeiro.
- Instituição Fiscal Independente (IFI) — Relatório de Acompanhamento Fiscal.
- Tribunal de Contas da União (TCU) — deliberação sobre a alíquota de referência da CBS.
- Federal Reserve (Fed) — decisão de política monetária de outubro.
- Eurasia Group — análise sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.
- Polícia Federal — informações sobre a investigação envolvendo Banco Master e BRB.
- Reuters — dados fiscais, econômicos e informações de mercado.
- Money Times — entrevistas e análises sobre o comportamento dos investidores.
- Demais reportagens e informações de mercado encaminhadas para esta edição.
Janainna Rosa Especialista em Investimentos | Colunista de Educação Financeira e Investimentos MBA em Banking e Mercado de Capitais Certificada ANBIMA (CEA) Mais de 14 anos de experiência no mercado financeiro







